Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Espaçonave que estuda Marte consegue fotografar 3º objeto interestelar já detectado

Neste momento, o cometa 3I/Atlas não pode ser facilmente observado da Terra, pois está do outro lado do Sistema Solar. O Sol não está bloqueando diretamente a visão do objeto, mas tentar distingui-lo em meio ao brilho diurno é praticamente impossível.

Mas Marte também está naquele lado do Sistema Solar agora, e naves espaciais que estão por lá conseguiram fotografar o cometa, que é apenas o terceiro objeto interestelar que conhecemos —ou seja, ele veio de fora do sistema em que está o planeta Terra.

Na última terça-feira (7), a Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou imagens que uma de suas naves, o ExoMars Trace Gas Orbiter, capturou no sábado (4) quando o cometa se aproximou do planeta vermelho.

As imagens mostram o cometa movendo-se entre as estrelas mais distantes. O registro representa uma conquista impressionante para uma câmera projetada para observar Marte, segundo Nicolas Thomas, professor de física experimental na Universidade de Berna (Suíça) e investigador principal do instrumento.

Normalmente, o orbitador, que estuda o planeta vermelho desde 2016, aponta sua câmera para baixo, em direção à superfície situada a 400 quilômetros abaixo. O equipamento tira três fotos por segundo com um tempo de exposição de 1,5 milissegundos, de acordo com Thomas.

Nesse caso, a câmera foi direcionada para um ponto a quase 32 milhões de quilômetros de distância, com exposições de cinco segundos, tentando distinguir algo que era entre 1/10 mil e 1/100 mil vezes menos brilhante que suas observações habituais.

Cinco segundos mostraram-se tempo suficiente para captar a luz necessária, contudo não foi longo demais para que o ponto ficasse muito borrado pelo movimento do cometa.

“Estou surpreso que foi tão bom, para ser honesto”, disse Thomas.

A câmera também capturou imagens por meio de seus filtros vermelho, infravermelho próximo e azul, que podem fornecer pistas sobre as propriedades do cometa 3I/Atlas. Se, por exemplo, a proporção de luz azul para vermelha se tornar maior à medida que se afasta do núcleo, isso pode indicar que as partículas do cometa estão ficando menores conforme o gelo se transforma em vapor, explicou o professor de física –partículas menores dispersam a luz azul com mais eficiência.

Se houver pouco ou nenhum gelo, então as partículas vão permanecer aproximadamente do mesmo tamanho.

Os cientistas terão de analisar as imagens com mais cuidado antes de poderem chegar a conclusões confiáveis. Embora eles possam ver o cometa claramente, os filtros de cor bloqueiam mais luz, tornando mais difícil detectar um sinal científico genuíno em meio ao ruído nos sensores.

O Mars Express, uma nave espacial da ESA que está em órbita ao redor de Marte há mais de duas décadas, também tentou tirar fotos do objeto interestelar, mas sua câmera só conseguia exposições de meio segundo de duração. Até agora, nada foi encontrado nessas imagens, feitas entre os dias 1º e 7 deste mês.

É possível que, ao empilhar imagens, os cientistas possam conseguir localizar o cometa. “Mas não houve sucesso até agora”, afirmou Colin Wilson, cientista do projeto para as naves Mars Express e Trace Gas Orbiter.

Por si só, as novas imagens não revelam nada novo sobre o cometa 3I/Atlas, segundo Wilson. Porém, elas se somam a uma série de observações que ajudarão os cientistas a entender como um cometa interestelar difere daqueles que circulam pelo nosso Sistema Solar.

Wilson afirmou que sua primeira pergunta para a equipe que analisa as fotos foi: o cometa estava onde foi previsto que estaria? A segunda: ele estava tão brilhante quanto o esperado?

Em ambos os casos, as respostas parecem ser sim.

Thomas disse que imagens adicionais do cometa devem estar chegando da sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da Nasa. “Sei que eles obtiveram dados no dia 2 deste mês e acho que são bastante bons.”

Amadores que examinaram imagens tiradas pelo rover Perseverance em Marte dizem acreditar ter avistado o rastro do cometa. Contudo, com a maior parte da Nasa e do governo dos EUA atualmente afetados pelo shutdown, essa informação não pode ser oficialmente divulgada.

“Devemos nos comunicar por meio da Nasa, o que atualmente não é possível devido ao shutdown”, disse por email o geólogo planetário Alfred McEwen, da Universidade do Arizona que é o investigador principal da câmera a bordo do orbitador americano.

noticia por : UOL

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