Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Matthieu Blazy, um discreto superdotado à frente da Chanel

O estilista Matthieu Blazy, discreto mas com uma sólida experiência, é um dos nomes mais esperados nesta Semana de Moda de Paris, onde apresentará sua primeira coleção para a Chanel.

“É um dos criadores com mais talento de sua geração”, afirmaram Alain Wertheimer e Leena Nair, dono e diretora-geral, respectivamente, da prestigiosa marca francesa no comunicado que anunciava sua nomeação em meados de dezembro, seis meses após a repentina saída de Virginie Viard.

O franco-belga de 41 anos, até agora na Bottega Veneta (do grupo Kering), tem a difícil tarefa de retomar o estilo Chanel e virar a página após Karl Lagerfeld. Viard, braço direito do “kaiser”, assumiu a direção artística da grife francesa após sua morte em 2019.

“Ele tem qualidades nada desprezíveis para assumir o desafio. Sua trajetória na indústria do luxo reflete um olhar afiado e uma grande adaptabilidade”, avalia Sophie Abriat, autora especializada no setor.

Nascido em 27 de junho de 1984 em Paris, filho de um pai especialista em arte pré-colombiana e uma mãe etnóloga e historiadora da arte, Blazy foi descoberto por Raf Simons quando ainda era estudante na La Cambre, uma prestigiosa escola de moda de Bruxelas.

Simons contratou o estilista logo após o término de seus estudos, em 2007. Blazy, então, trabalhou para a linha masculina e conheceu Pieter Mulier, atual diretor artístico da Alaïa, que será seu companheiro por mais de quinze anos.

Blazy se junta à Maison Martin Margiela em 2011 para dirigir a coleção Artisanal, uma linha experimental que é apresentada durante a Semana de Alta-Costura em Paris.

Nessa época, desenha uma máscara integral incrustada de joias, que se tornarou famosa depois de Kanye West usá-la em seus shows.

NASCE UMA ESTRELA

“Ele vai além dos limites da roupa ao jogar com a transformação dos materiais e das formas. A experimentação têxtil se torna uma de suas marcas: sua roupa é arquitetônica, composta de materiais heterogêneos”, explica Sophie Abriat.

“Ele tem um discurso que se concentra muito no saber fazer, na inovação, no artesanato, nos detalhes de corte, no jogo do trompe-l’oeil”, completa Alix Morabito, diretora de compras nas Galerias Lafayette.

Em 2014, a famosa crítica de moda britânica Suzy Menkes lhe dedica um artigo: “Na Margiela, nasce uma estrela”.

Nesse mesmo ano, trabalha na Celine ao lado de Phoebe Philo e, a partir de 2016, se estabelece em Nova York para se juntar a Raf Simons na Calvin Klein como diretor de design de prêt-à-porter até 2019.

Em 2020, integra a Bottega Veneta como braço direito do diretor artístico Daniel Lee, a quem sucede no ano seguinte.

Jeans azuis em trompe-l’oeil, feitos de couro flexível, botas altas com saltos esculturais moldados em uma única peça, sem costuras visíveis. Blazy traz sentido ao movimento e ousadia ao couro trançado da marca italiana, respeitando ao mesmo tempo os cânones clássicos da casa.

Sua proposta funciona e, embora como muitas indústrias do luxo o grupo Kering atravesse um período difícil, a Bottega Veneta é uma das poucas marcas que registra crescimento positivo.

noticia por : UOL

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