Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Governo Trump usa shutdown para punir adversários e aumentar pressão política

O governo Donald Trump avançou nesta quarta-feira (1º) para maximizar os efeitos da paralisação federal, bloqueando bilhões de dólares destinados a estados governados por democratas e preparando um plano para demitir em massa servidores públicos.

As medidas, sem precedentes e punitivas, evidenciam os riscos de um impasse fiscal sem data para terminar e como Trump pode usar o “shutdown” (apagão) do governo federal para impor sua agenda, cortar o orçamento e retaliar adversários.

Em postagens nas redes sociais, Russell Vought, diretor do Orçamento da Casa Branca, disse que cerca de US$ 26 bilhões em verbas já aprovadas haviam sido suspensas ou canceladas, chamando os recursos de “desperdício”.

O governo disse ter bloqueado US$ 8 bilhões destinados a projetos de energia limpa em 16 estados democratas, qualificando-os de “Green New Scam” (“novo golpe verde”). Também congelou cerca de US$ 18 bilhões para projetos de transporte em Nova York, reduto do líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e do líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries. Ambos são alvos frequentes de Trump.

As manobras orçamentárias formalizaram a ameaça feita por Trump de usar a paralisação como oportunidade para cortar agências, benefícios e programas que considera aliados dos democratas —inclusive com uma nova rodada de demissões em massa.

Nesta quarta, os cortes pareciam iminentes. Vought disse a republicanos da Câmara que as demissões, conhecidas como “redução de quadro”, poderiam começar em um ou dois dias.

O vice-presidente J.D. Vance reforçou a necessidade dos cortes, alegando que seriam para preservar “serviços essenciais” —algo que não ocorreu em paralisações anteriores. A última, em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, durou 35 dias.

A paralisação começou à meia-noite do novo ano fiscal, iniciado nesta quarta, após fracassarem as negociações entre democratas e republicanos. Os republicanos queriam prorrogar temporariamente os níveis atuais de gasto, mas os democratas rejeitaram a proposta, que não incluía subsídios de saúde.

Com isso, muitos servidores foram colocados em licença não remunerada, enquanto outros, como militares e agentes de segurança em aeroportos, seguem trabalhando sem salário definido. Diversos serviços críticos estão paralisados ou reduzidos.

O Departamento de Transportes disse que reavaliaria os projetos de Nova York conforme diretrizes de Trump sobre diversidade e inclusão, culpando Schumer e Jeffries, os líderes democratas no Congresso americano, pela paralisação.

Democratas reagiram. A senadora Patty Murray disse que Trump e Vought estavam “usando com prazer a paralisação que criaram como pretexto para infligir ainda mais dor”.

A Casa Branca, no entanto, manteve a estratégia de “armar” o shutdown. Logo após o fim do financiamento, suspendeu as transmissões da Voice of America e dispensou seus jornalistas —uma ruptura com práticas anteriores.

Funcionários do Departamento do Interior foram instruídos a levar equipamentos de trabalho para casa a fim de receber notificações sobre possíveis demissões. O orçamento proposto por Trump prevê corte de 30% na pasta, que já perdeu milhares de empregados desde janeiro.

No total, o governo deve terminar o ano com 300 mil servidores a menos do que em janeiro, reflexo de demissões, dispensas e renúncias incentivadas desde o início do mandato, sob a campanha de cortes liderada pelo Departamento de Eficiência Governamental.

noticia por : UOL

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