As dez principais plataformas de trabalho com atuação no Brasil, incluindo Uber, iFood e 99, não conseguiram comprovar padrões mínimos de trabalho decente, incluindo garantia de um salário mínimo, redução de riscos e comunicação transparente.
As conclusões constam do relatório Fairwork Brasil 2025, produzido por pesquisadores de quatro universidades federais e coordenado globalmente pelo Oxford Internet Institute, da Universidade de Oxford, e pelo Berlim Social Science Center, centro de pesquisa financiado pelo Estado alemão.
A partir de entrevistas com trabalhadores, reuniões com representantes de empresas e pesquisa documental, o estudo avaliou dez critérios de trabalho justo nas empresas InDrive (Google), Superprof, 99, Ame Flash (Americanas), iFood, Lalamove, Loggi, Parafuzo, Rappi e Uber.
Destas, apenas as empresas InDrive, de transporte por aplicativo, e Superprof, de aulas particulares, pontuaram em um critério, o da remuneração justa.
A InDrive, que pertence ao Google, permite aos motoristas combinar o preço da viagem com o passageiro. Já os professores inscritos na Superprof relataram remuneração suficiente, embora haja poucos clientes usando a plataforma.
As demais plataformas não marcaram nenhum ponto. Em manifestações enviadas aos pesquisadores, a Parafuzo, a 99 e a Uber questionaram a metodologia do trabalho e afirmaram oferecer condições dignas de trabalho.
O relatório destaca que nenhuma das plataformas analisadas forneceu evidências de mitigar riscos relacionados a doenças e lesões –como aquelas causadas por um acidente de moto, por exemplo.
Também não conseguiram demonstrar que há canais de comunicação transparentes com os trabalhadores parceiros, e o mesmo vale para garantias de que os trabalhadores possam se organizar coletivamente e apontar problemas nas condições de trabalho.
O estudo também observa que entregadores e motoristas estão se endividando com locadoras de veículos que têm parceria com as plataformas de trabalho.
“Esses trabalhadores são levados a alugar suas ferramentas de trabalho, bicicletas, carros ou motocicletas, criando dependência financeira com a locadora durante o trabalho”, diz trecho da pesquisa. “As empresas de aluguel são entidades independentes, mas, ao mesmo tempo, parceiras
das plataformas ao autorizarem o débito na conta do profissional”.
O estudo contou com a participação de pesquisadores das universidades federais do Rio Grande do Sul,
do Rio de Janeiro, de Brasília e do Paraná.
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O que dizem as empresas
Parafuso: a plataforma de serviços de manutenção e limpeza afirmou que todos os profissionais recebem mais de R$ 15 líquidos por hora e que os termos de uso são justos e transparentes. Segundo a empresa, todos os profissionais contam com seguro de acidentes gratuito e canais de atendimento dedicados.
Uber: o aplicativo de transporte de passageiros disse que não participou do estudo por considerar que a pesquisa se baseia em premissas de modelos tradicionais de emprego, sem considerar a necessidade de conciliar flexibilidade e autonomia.
Também afirmou que o relatório usa amostras sem representatividade estatística, generalizando casos específicos. A empresa ainda disse ter apresentado uma proposta clara em defesa de regulamentação que amplie benefícios e proteções aos trabalhadores autônomos.
99: a empresa diz não ter sido contatada pelos pesquisadores –o que é negado pelo relatório– e diz que a ausência de diálogo limitou a capacidade da 99 de compartilhar informações relevantes, impactando na pontuação do aplicativo.
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noticia por : UOL












