O estado de saúde de Aung San Suu Kyi, de 78 anos, personalidade política que representa a democracia birmanesa desde que venceu o prêmio Nobel da Paz, em 1991, suscita preocupação. No ano passado, a junta a obrigou a assistir a audiências militares quase diárias, o que a teria enfraquecido moral e fisicamente.
Em julho, o ministro das Relações Exteriores da Tailândia, Don Pramudwinai, encontrou a ex-líder em sua cela, na única conversa com um representante de um governo estrangeiro desde que foi detida. Na semana passada, ela foi transferida para um prédio do governo, segundo indicou um representante de seu partido político.
Aung San Suu Kyi continua extremamente popular em Mianmar, embora sua imagem internacional tenha ficado comprometida pelo acordo de compartilhamento de poder que fez com os generais e seu fracasso em defender a minoria muçulmana rohingya, perseguida pelos militares.
Cinco mil mortos
Desde o golpe militar de 2021, cerca de 5 mil birmaneses morreram em virtude da repressão do regime e 24 mil foram presos em Mianmar. Após meses de manifestações contra a junta, a violência e a repressão também resultaram em mais de 1 milhão de deslocados, segundo a ONU.
O Exército justifica a tomada de poder com uma suposta fraude eleitoral generalizada nas eleições de novembro de 2020, desencadeando grandes protestos e repressão sangrenta. O pleito foi vencido pelo partido Liga Nacional para a Democracia (NLD), de Aung San Suu Kyi. Na época, observadores internacionais disseram que a votação foi amplamente livre e justa.
Na segunda-feira (31/07), o estado de emergência foi prorrogado pela junta militar por mais seis meses. A decisão deve resultar no adiamento das próximas eleições, que deveriam ocorrer em agosto.
noticia por : UOL












